Os 8 Melhores Livros de Mia Couto

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Misturando a língua portuguesa com a tradição africana, Mia Couto se destaca entre os autores lusófonos. Dentre os melhores livros de Mia Couto encontramos romances fantásticos, poesia, drama, guerra e uma veia crítica muito forte.

Nascido e crescido em um período conturbado da história de seu país natal, Moçambique, o escritor viu de perto o que a guerra faz com uma nação e seu povo. Justamente por isso, suas obras são carregadas de significados.

Mia Couto escreve com força e instiga o pensamento, porém sem nunca abandonar o lúdico. Seus textos, por mais que sejam carregados do peso da história, são fonte de inspiração e sempre retratam a possibilidade de um futuro melhor.

Em seus livros há sempre algo da tradição africana, dando voz a esse universo maravilhoso e muitas vezes ignorado.

Para quem quer conhecer mais da história e cultura de Moçambique, ou explorar a diversidade da literatura da língua portuguesa além de Portugal e Brasil, os livros deste escritor são fonte ideal.

Confira abaixo nossa lista com os melhores livros de Mia Couto.

Mais sobre os 8 melhores livros selecionados

1. O fio das missangas

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Nesta coletânea de 29 contos, o autor nos apresenta um protagonista masculino nos moldes do Don Juan.

Ao longo das páginas acompanhamos a aventura deste homem, em cenas e momentos curtos e simples, mas que se entrelaçam com missangas em um colar para formar algo maior.

A metáfora da missanga não está apenas na meta discussão sobre a obra, mas dentro dela própria. O próprio protagonista compara a vida a um colar, onde ele dá o fio e as mulheres as missangas.

Em “O fio das missangas”, Mia Couto usa de todo seu artifício poético para encher as histórias de lirismos e neologismos. Apesar disso, a leitura não deixa de ser simples e envolvente, refletindo a própria simplicidade do protagonista que vem do povo de seu país natal.

No entanto, a figura feminina nesta obra não fica apenas entregue ao papel de par romântico ocasional do protagonista. Mia Couto traz importantes palavras sobre a marginalização e invisibilidade da figura feminina, dando palavra às suas dores em muitos momentos.

Sem dúvida, uma obra interessante, carregada de significados e camadas.

2. Mulheres de cinza

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“Mulheres de cinza” é uma narrativa de ficção histórica no estilo característico de prosa poética de Mia Couto.

Aqui o autor nos coloca em uma região de Moçambique governada por Ngungunyane, último dos líderes do grande Estado de Gaza. O governante ameaça o domínio colonial de Portugal sobre a região, e para enfrentá-lo a coroa portuguesa envia o sargento Germano de Melo.

Durante a missão o sargento conta com a ajuda da intérprete Imani, jovem garota da tribo VaChopi. Tal tribo é uma das poucas que vão contra Ngungunyane, porém Imani vê sua tribo e família divididas. Um de seus irmãos serve a Coroa Portuguesa, já outro se aliou ao exército de Ngungunyane.

Em meio a isso tudo a relação dos dois se aprofunda, e acompanhamos a jornada do sargento e o drama da garota africana que se vê em meio a uma guerra e mundo que não aceita figuras femininas.

Este livro é o primeiro de uma trilogia e troca entre as vozes de Germano e Imani para contar sua história.

3. Terra sonâmbula, primeiro romance de Mia Couto

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Mais um dos romances históricos de Mia Couto, agora nos encontramos em uma Moçambique assolada pela guerra civil que se deu no final do século XX. Este conflito se dá após o fim do período colonial e é extremamente violento.

Em “Terra sonâmbula” acompanhamos em paralelo duas histórias de fugitivos da guerra. No presente, seguimos com Tuahir e Muidinga em sua fuga do conflito.

No passado, em forma de flashback, vemos como foi a viagem de Kindzu em busca dos guerreiros naparamas, abençoados pelos feiticeiros e únicos, aos olhos do garoto, que podem dar fim ao que assola sua terra.

Assim como o anterior, este livro também é escrito em prosa lírica, como tanto gosta Mia Couto. Além disso, essa jornada, apesar do panorama histórico, conta com fortes elementos de realismo mágico e literatura tradicional africana.

Tudo isso ajuda a compor um livro de grande valor narrativo e lúdico, mas também carregado de pesquisa.

Este livro foi escolhido como um dos doze melhores livros africanos do século XX pelo júri especial da Feira do Livro de Zimbabwe.

4. Estórias abensonhadas

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A guerra que tanto marcou Moçambique por quase trinta anos também é parte central desta obra de Mia Couto. Ou melhor, o pós-guerra.

Durante os eventos desse livro, a guerra já terminou e o país africano começa a se reconstruir, física e moralmente. Esse sentimento é carregado nas palavras dos contos de Couto neste livro.

As diversas histórias presentes nas páginas contam a vida de pessoas comuns. Não há grandes tramas ou reviravoltas e o convite que o autor faz para o leitor é o de revisitar sentimentos humanos em meio ao caos.

Mais uma vez utilizando da prosa lírica para contar suas histórias, Mia Couto trabalha de bela forma tradições orais africanas para misturar fantasia e realidade.

5. Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra

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Ao retornar para Luar-do-Chão, sua cidade natal, Marianinho percebe que não mais pertence àquele mundo. Viver na cidade, entre os brancos, o transformou, e agora entre os de sua família e etnia ele é um estranho.

O velório de seu avô, também Mariano, e de quem o neto preferido agora cuida do funeral, é apenas o ponto de partida para uma jornada de redescobrimento para Marianinho.

Em meio a tramas familiares com seus diversos parentes, Marianinho descobre mais sobre a morte do avô e as circunstâncias envolvidas. Não bastasse isso, ele ainda precisa lidar com a morte de sua mãe, Mariavilhosa.

As sagas de Marianinho e da própria Luar-do-Chão se entrelaçam com o estado na África, em um paralelo social, político e humano. O impasse cultural passado pelo protagonista reflete como o continente, assolado pela guerra e colonização, lida com seu presente e futuro.

Como é comum nos livros do escritor, o mundo real e a fantasia se misturam através da espiritualidade e tradição africana. Aqui isso é representado pelos espíritos do rio e os feitiços que assolam a terra.

6. Antes de nascer o mundo

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Na isolada Jerusalém, em meio à savana de Moçambique, vive Silvestre com seus dois filhos, Mwanito e Ntunzi, além do Tio aproximado e o serviçal Zacaria. Todos estão o quão longe pode se estar das grandes cidades e povos.

Os cinco são assolados pela memória da misteriosa morte da mãe. Silvestre, desesperançoso no futuro, instiga tal sentimento nos demais e desgraça o nome do mundo e das mulheres.

Porém, tudo há de mudar quando os chamados donos do mundo retornarem para reivindicar Jerusalém. Além disso, a aparição de uma mulher promete colocar movimento nas vidas monótonas dos cinco homens.

Este livro trata de temas muito próximos do chão, sobre o povo que sobrevive dia a dia em seu país. O escritor Mia Couto entrega mais uma bela história que instiga a reflexão sobre a natureza humana e política com críticas certeiras.

7. Poemas escolhidos

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“Poemas escolhidos” é uma seleção de poesias escolhidas pelo próprio escritor de alguns de seus livros anteriores, sendo eles “Idades cidades divindades”, “Raiz de orvalho e outros poemas” e “Tradutor de chuvas”.

Por mais que Mia Couto seja muito conhecido e aclamado pelo seu lirismo em prosa dos romances históricos, aqui encontramos sua face poética. E, como não poderia deixar de ser, com força total.

As palavras do autor moçambicano tocam como sempre e, mesmo que de forma não planejada, incitam o pensamento e reflexão.

8. O último voo do flamingo, importante livro da língua portuguesa

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Nesse romance lançado em 2000, nos 25 anos da independência de Moçambique, “O último voo do flamingo” é mais um dos livros de Mia Couto que buscam representar toda a identidade africana.

A trama se passa na cidade fictícia de Tizangara. Soldados das Nações Unidas estão no país para acompanhar o processo de pacificação após a Guerra Civil. Todos são pegos em eventos estranhos, principalmente quando soldados começam a explodir de forma espontânea e inesperada.

Como não poderia deixar de ser, há uma forte crítica aos senhores da guerra, que assolam os países com terror e miséria. Isso sem perder o otimismo de uma narrativa que mostra que a esperança é construída com a vontade dos protagonistas de sua própria história.

Quem é Mia Couto?

Mia Couto é o pseudônimo de António Emílio Leite Couto, biólogo e escritor moçambicano nascido em 1955 na cidade de Beira, em Moçambique.

Sua experiência na literatura começou desde muito cedo. Teve publicado poemas de sua autoria no jornal Notícias da Beira na jovem idade de 14 anos. A escrita abriu espaço para os estudos de Medicina por um tempo, curso ao qual Mia Couto não se afeiçoou e largou no terceiro ano.

O escritor começou uma carreira como jornalista, retornando para as palavras, e trabalhou em jornais e revistas de seu país, como a Tribuna, Tempo e Notícias. Nesse meio tempo ele foi nomeado diretor da Agência de Informação de Moçambique, onde trabalhou diretamente na formação de ligações entre províncias moçambicanas na guerra de libertação.

Foi em 1983 que ele publicou seu primeiro livro de poesias, “Raiz de orvalho”. Porém, dois anos depois se demitiu da carreira jornalística para estudar e se formar em Biologia.

Mia Couto ganhou diversos prêmios no exterior, como o Prêmio Camões, e o Neustadt Prize, considerado o “Nobel Americano”. Para “Terra sonâmbula”, levou o Prêmio Nacional de Ficção da Associação dos Escritores Moçambicanos. O escritor é considerado um dos mais importantes autores de língua portuguesa.

Em suas obras, Mia Couto se inspira abertamente em Guimarães Rosa, no tratamento romântico e poético. Além disso, é famoso por utilizar das tradições africanas em sua forma de escrever. Outra característica do autor é sua paixão pelo neologismo, comum em seus livros.

Indo além da carreira de escritor, Couto dirige a Avaliações de Impacto Ambiental, IMPACTO Ltda., empresa especializada em estudos de impactos ambientais. Ele também é professor da disciplina de Ecologia para diversos cursos da Universidade Eduardo Mondlane.

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