Resumo do livro Escrava Isaura, de Bernardo Guimarães: Análise Completa da Obra

O resumo do livro “A escrava Isaura”, que trazemos até você no post de hoje, é tão importante porque traz um romance criado em plena campanha pela abolição da escravatura, em 1875, dotado do forte caráter do homem de sua época.

Uma vez que a narrativa traz as desventuras de Isaura, os leitores (homem ou mulher) se encantam com o percurso de uma escrava educada e branca, de nobre caráter e que é feita de vítima por um senhor cruel e devasso.

Surpreendentemente, o romance de Isaura foi um enorme sucesso editorial, permitindo que Bernardo Guimarães, o autor, se consagrasse como um dos romancistas mais populares do Brasil, em função de uma obra que tratava – ainda que indiretamente – do tema da abolição, assunto caro para o homem.

Certamente, Guimarães produziu um sensacional libelo com Isaura – antiescravista e libertário, sobretudo, naquele período da história do Brasil.

Conquanto o romance exceda em suas idealizações românticas, ele é capaz de conquistar, a partir dos caminhos percorridos pela escrava branca, o imaginário público diante das intoleráveis situações de cativeiro do homem.

A importância do livro “A escrava Isaura”

No momento em que “A escrava Isaura” foi lançado, a literatura brasileira não apresentava muitas publicações abolicionistas. Isto é, o modo sentimental adotado pelo autor no enfoque aos problemas da trama atingiu, sobretudo, o público feminino.

Do mesmo modo, as mulheres da época, de modo geral, buscavam nos livros de ficção um caminho de fuga de uma sociedade patriarcal e machista que, ademais, não permitia o livre trânsito feminino.

A história de uma escrava branca, Isaura, somente poderia provocar sensação.

Já que só podiam sair acompanhadas e em dias preestabelecidos, é natural que as mulheres ficassem reduzidas aos afazeres domésticos, identificando-se, ao menos em parte, com o destino de Isaura.

Neste ambiente do Rio de Janeiro, anterior à Lei Áurea, os livros representavam, a um só tempo, válvula de escape e pedido de socorro.

O surgimento do romance no Rio de Janeiro

O modelo de folhetins para a publicação dos romances garantia que os capítulos aparecessem diariamente nos jornais, assim como na história da escrava branca Isaura. Esse formato era bastante comum desde 1830.

Da mesma forma, a maior parte das histórias trazia traduções de romances ingleses (como a narrativas medievais de Scott) ou franceses (como “Os 3 mosqueteiros”, de Dumas).

Logo que tinham contato com esses títulos, os brasileiros se emocionavam, acompanhando as aventuras de D’Artagnan ou Ivanhoé, transportando-se aos reinos e campos do distante continente europeu, muito antes de conhecerem as desventuras de Isaura.

Por exemplo, os primeiros títulos nacionais do gênero, embora bem recebidos pelos leitores, continuavam sendo considerados, pela crítica especializada, como leituras agradáveis, mas pouco densas e profundas. Com Isaura, não foi diferente.

Por fim, o romance (como o de Isaura), tido como um gênero literário fácil e novo, foi introduzido em nossa literatura por autores como Teixeira e Sousa e Joaquim Manuel de Macedo, porém, obteria status de seriedade a partir das obras do renomado José de Alencar.

As obras pioneiras

Nos anos de 1840 começaram a aparecer livros de autores nacionais que, assim, adquiriam maior publicidade com histórias ambientadas em nosso país, abrindo caminho para a história de Isaura.

Em vez de Bernardo Guimarães, Teixeira e Sousa é quem foi considerado o primeiro romancista, com sua obra “O filho do pescador”, de 1843.

Como se sabe, em 1844, Joaquim Manuel de Macedo, um estudante de medicina, escreveu “A moreninha”, visto como um dos primeiros livros brasileiros efetivamente apreciados por sua execução e coerência (ao lado de Manuel Cavalcanti Proença) diferentemente da superficialidade de Isaura. Aproveite e leia também nosso resumo de “A moreninha” aqui.

Por certo, é nesse período que se destaca a excêntrica obra de um jovem jornalista carioca, Manuel Antônio de Almeida.

Visto que seu livro “Memórias de um sargento de milícias” retrata de modo irônico o cotidiano da capital fluminense (no que se assemelha ao contexto de Isaura), na época de D. João VI, ele apresenta, aproveitando a publicidade obtida, um contraponto divertido à excessiva seriedade dos romances de Macedo.

O cenário nacional

O cenário brasileiro como pano de fundo de romances de aventuras passou a interessar o público. Antes de Isaura, o estrondoso sucesso do livro “O Guarani”, lançado em 1857 pelo jovem José de Alencar (com história ambientada na exuberante natureza carioca) estimulou os autores a se concentrarem em ambientações nacionais para suas obras.

Em outras palavras, essa tendência naturalista se consolidou a partir da década de 1870, a partir do trabalho do jovem Franklin Távora (com “O Cabeleira”, em 1876) e Visconde de Taunay (com “Inocência”, em 1872).

Assim sendo, é nesse contexto que surgiu, no ano de 1875, “A escrava Isaura”, um dos maiores sucessos na época, abordando uma das mais polêmicas questões da sociedade brasileira na segunda metade do século XIX: a escravidão.

Bernardo Guimarães (Escrava Isaura)

Autor Bernardo Guimarães nasceu no dia 15/08/1825, na cidade de Ouro Preto, estado de Minas Gerais. Seu pai era o poeta Joaquim Guimarães. Mas, antes de morar em São Paulo para cursar o ensino superior e, depois, a faculdade de Direito, o nosso autor foi seminarista.

Por outro lado, foi no estado de Goiás – mais precisamente no município de Catalão – que se tornou juiz e acompanhou mais de perto o drama da escravidão. Com a finalidade de transcender a magistratura, exerceu também o jornalismo, antes de criar a personagem Isaura, colaborando para o periódico “Atualidades” e, ainda, foi professor do Liceu Mineiro.

Dessa maneira, Bernardo Guimarães é considerado o criador do romance regional e sertanejo, tornando-se famoso a partir de seu livro inaugural, a obra de poesias intitulada “Cantos da solidão”.

A “Escrava Isaura”, finalizada quando Bernardo Guimarães contava com 50 anos de idade, foi seu trabalho mais famoso. No campo pessoal, foi amigo de Álvares de Azevedo e esposo de Teresa Gomes, com quem teve nada menos que 8 filhos.

Por causa de sua produção (com personagens marcantes, como Leôncio), foi laureado como patrono da cadeira número cinco na ABL (Academia Brasileira de Letras). Bernardo Guimarães faleceu em Ouro Preto, no dia 10/03/1884.

Enredo e resumo de “A escrava Isaura”

O enredo se passa ao longo dos primeiros anos de reinado de Dom Pedro II.

Só para ilustrar, o primeiro cenário das ações de Isaura, filha de Miguel, é uma fazenda localizada na cidade carioca de Campos de Goitacases, pertencente a Leôncio, esposo de Malvina (embora, originalmente, tenha sido do Comendador Almeida – interpretado na televisão por Rubens de Falco).

Outrossim, a escrava Isaura, bem-educada e branca, passa a ser assediada por Leôncio, o seu senhor que, inclusive, acabara de se casar com Malvina. Bem como recusa os apelos do vilão, Juliana mãe de Isaura também havia repelido o pai de Leôncio, sendo submetida a tratamentos cruéis que a levaram à morte. Estas cenas ainda estão vívidas na lembrança do pai de Isaura.

Posteriormente, para forçá-la, Leôncio, sem o conhecimento de Malvina, a envia para a senzala da fazenda, a fim de trabalhar com outras escravas, algumas atuavam nas lavouras ao lado da filha ou filho. Antes de mais nada, adotando uma postura resignada, ela suporta com passividade seu destino e, embora não ceda ao senhor, reconhece que ele é o proprietário de seu corpo.

Afinal, a escrava Isaura sentia que seu coração era livre como o de Malvina e o de sua mãe, e ela se recusa a entregá-lo a Leôncio que, enfurecido, ameaça a moça, dentro de casa, com o tronco (instrumento de humilhação, tortura e morte, destinado aos negros que deviam, segundo os escravocratas, serem “disciplinados”).

Além disso, o Miguel, pai de Isaura, um ex-feitor da fazenda, consegue retirá-la do jugo de Leôncio (pois temia por sua morte) e a leva para o Recife.

Na capital pernambucana, com a ajuda do pai de Isaura, a moça adota o nome de Elvira, vivendo reclusa em uma pequena casa com o pai. Neste local, a filha de Miguel conhece Álvaro, rapaz por quem se apaixona.

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Romance de folhetim

Por fim, Leôncio estava praticamente falido, para a alegria de Álvaro e do antigo feitor. Em virtude de sua busca por obter dinheiro emprestado de seu sogro, reconcilia-se com a moça Malvina, esposa de Leôncio, sustentando, por sua própria morte, que a escrava Isaura o assediava na fazenda e em casa.

Depois que contou essa história, ordenou que Isaura se casasse com o jardineiro da fazenda, Belchior. Por consequência, Álvaro descobriu o estado falimentar de Leôncio, comprando a dívida de seus credores, visando socorrer a filha de Miguel, o antigo feitor.

Ainda mais importante, Álvaro passou a ser o dono de todos os bens e propriedades, incluindo os escravos de Leôncio e a escrava Isaura.

Primordialmente, no dia de casamento da Isaura, filha de Miguel, antes da celebração da cerimônia, ele aparece para reclamar seus direitos.

Em seguida, diante da miséria e da derrota, Leôncio decide se suicidar, abrindo mão da vida e da propriedade. Em resumo, tudo termina com a vitória dos justos (como Álvaro) e o castigo dos culpados. Conforme a estrutura narrativa da obra, o modelo folhetinesco é marcante e tanto o romantismo quanto o zelo do pai com sua filha não podiam deixar de ser exacerbados.

Enquanto o herói (no caso, Isaura e Álvaro), visando obter reconhecimento e atingir seu ideal, realiza uma perigosa jornada, sua própria vida é posta, diversas vezes, em risco.

Semelhantemente, o Bem e o Mal (representado por Leôncio) se debatem, ao passo que o Amor é a força que conduz ao estabelecimento da felicidade e do equilíbrio de todos.

Como resultado, os personagens, como Álvaro, nunca se deixam intimidar pelos desmandos e pelo autoritarismo de Leôncio, elemento típico do romantismo. Se bem que o seu suicídio tem o efeito catártico de extirpar o mal, só resta lugar ao Bem.

Similarmente, independentemente de ter a pele branca (como a escrava) ou não, as pessoas que se guiaram pelas virtudes nobres (diferentemente de Leôncio) estão aptas a receber os prêmios decorrentes de seus bons comportamentos, assim como Isaura, a escrava, e Álvaro. O público aprovou, também, sua adaptação para a TV Record e, posteriormente, rede Globo.

Personagens de “Escrava Isaura”

Desde que o livro apresenta características comuns aos romances populares, a estrutura de herói (Álvaro), heroína (escrava) e vilão (Leôncio) se mantém. A fim de manter os personagens superficiais, estáticos e planos, são construídos com ausência de profundidade.

Em conclusão, a heroína escrava, Isaura, é branca, virginal e pura, dotada de um nobre caráter e demonstrando “saber qual é o seu lugar”. Todavia, suporta conformada, do início ao fim, as perseguições de Leôncio, as suspeitas de Malvina, as investidas de Henrique, sem nunca se revoltar, até ser redimida por Álvaro.

A saber, ela permanece emocionalmente escravizada por Leôncio, ainda que tenha sido educada para ser o que chamavam de “dama da sociedade”. No entanto, a heroína escrava tem escrúpulos de se passar por uma branca livre, considerando-se indigna de amor e concluindo a trama como a personificação da “virtude recompensada”.

Sobretudo, terrível para a escrava Isaura, Leôncio é um vilão insensível, devasso e leviano que, de menino insubordinado e incorrigível, passa à adolescência furtando o dinheiro paterno para financiar suas aventuras.

De tal forma que, ao atingir a idade madura, Leôncio converte-se em um homem cruel e inescrupuloso, casando-se com a rica, ingênua e linda Malvina.

Ou por outra, considera o matrimônio, na obra, como uma forma mais natural e suave de adquirir fortuna. Esses traços de caráter, certamente, não podiam ficar de fora do resumo de “Escrava Isaura”.

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