Resumo do livro Dom Quixote, de Miguel de Cervantes

Quem nunca se imaginou vivendo outras vidas, que atire a primeira pedra. Neste resumo do livro Dom Quixote, você vai entender por que este é um dos romances inesquecíveis do mundo ocidental e da literatura mundial.

Dom Quixote é um romance de cavalaria, publicado em duas partes. A primeira parte foi lançada em 1605 e o título original é “O engenhoso fidalgo Dom Quixote de La Mancha”.

O sucesso foi tão grande que surgiu até outra edição de Dom Quixote, cuja autoria é atribuída a Avellaneda. Foi apenas em 1615 que Miguel de Cervantes publicou a segunda parte de Dom Quixote.

A obra é considerada a origem da ficção moderna. Ou seja, o primeiro romance moderno. Inclusive, influenciou autores como Gustave Flaubert, autor de Emma Bovary, e Jorge Luis Borges, que escreveu Pierre Menard, autor de Quixote.

Breve Biografia de Miguel de Cervantes

Em 29 de setembro de 1547, nasceu Miguel de Cervantes Saavedra, em Alcalá de Henares, na Espanha. Foi educado por seu pai, um cirurgião pobre e surdo.

Ele mudou-se para Madrid em 1561, onde escreveu um soneto para Isabel de Valois, que na época era esposa de Felipe II. No entanto, em 1570 alistou-se no serviço militar. No ano seguinte, quase perdeu a mão na batalha de Lepanto.

No ano de 1573, entrou em uma expedição com D. João, com o qual esteve em Sardenha, Sicília, Nápoles e Palermo. Já em 1575, solicitou o seu retorno para sua casa, na Espanha. Nesse meio tempo, ele e seu irmão foram sequestrados. Ele só foi resgatado em 1580.

Em dezembro retornou a Madrid. A partir daí, decidiu se dedicar aos estudos literários. Já em 1585 começou a escrever “La Galatea”, uma novela pastoril. Outras obras publicadas foram “Los Tratos de Argel” e “La Mumancia”. Ambos são poemas dramáticos.

Além disso, Cervantes estabeleceu vínculos com outros artistas de sua época.

Ele casou-se com Catarina de Palacios. Em seguida, foi nomeado coletor de impostos, o que o fez viajar, frequentemente, para Andaluzia e La Mancha.

O escritor acabou preso por três vezes devido ao atraso na prestação de contas à Coroa. Para alguns historiadores, Cervantes teria escrito a primeira parte de Dom Quixote quando esteve preso em Argamasilla del Alba, entre 1601 e 1603.

A primeira parte do livro Dom Quixote foi publicada pela primeira vez em 1605. Uma segunda parte do romance foi lançada em 1615.

Resumo do livro Dom Quixote

Em suas páginas, a novela traz o relato das aventuras e infortúnios de Dom Quixote, que era um homem de meia-idade e um amante das novelas de cavalaria.

Assim, tornou-se um cavaleiro andante, munido de uma armadura enferrujada e de um cavalo, o Rocinante. Nesse processo, ele recrutou Sancho Pança como seu fiel escudeiro. Além disso, como qualquer cavaleiro, ele tinha uma amada cujo nome é Dulcineia.

Em seu mundo de aventura e fantasias, o que era banal no cotidiano acabava se tornando uma aventura extraordinária.

Por exemplo, moinhos de vento se transformavam em gigantes, que os heróis da história tiveram que enfrentar.

O enredo

Dom Quixote, grande obra do escritor espanhol Miguel de Cervantes, foi publicado em duas partes.

Primeira parte da história

Nesta primeira parte da obra, o cavaleiro confundiu um albergue com um castelo. Assim, ele resolveu passar a noite no local para protegê-lo.

Em vista disso, na manhã seguinte, acabou atacando um grupo de camponeses que se aproximavam, pois, ele acreditava que eles fossem inimigos.

Desta forma, eles acabaram machucados. No entanto, mesmo assim, o dono do albergue o consagrou cavaleiro em uma falsa cerimônia de consagração.

Depois desse episódio, ele convenceu Sancho Pança a segui-lo como fiel escudeiro, com a promessa de dinheiro e fama. Em seguida, um padre consultado por Dolores, sobrinha de Dom Quixote, associou as ações dele à loucura por conta da leitura.

Diante disto, eles queimaram os livros do cavaleiro, que atribuiu o ocorrido a Frestão, seu inimigo. Portanto, Dom Quixote e Sancho Pança saíram em busca de vingança.

Para o personagem, tudo e todos eram inimigos. É dessa forma que ele acabou lutando com moinhos de vento, que ele pensava serem gigantes sob o encanto de Frestão.

Em sua loucura, Dom Quixote também atacou dois sacerdotes que transportavam uma santa, julgando que eles eram dois feiticeiros que sequestraram uma princesa. Nesta parte da história, Sancho o nomeou “cavaleiro da triste figura”.

O desafio seguinte foi enfrentar vinte homens que tentaram roubá-los. Por conta disso, eles acabaram espancados. Uma vez recuperados, eles se depararam com dois rebanhos que, para Quixote, eram dois exércitos rivais. Assim, ele acabou se juntando ao lado mais fraco.

Neste ponto, Sancho tentou, em vão, trazer seu amo para a realidade. Porém, a aventura continuou e eles se depararam com um grupo de prisioneiros levados por guardas para campos de trabalho forçado.

Mas o que Dom Quixote via eram homens inocentes que precisavam de ajuda. Assim, ele os libertou, mas acabou agredido e roubado.

Depois de tantos fracassos, Dom Quixote enviou uma carta para Dulcineia através de Sancho. No trajeto, o escudeiro esbarrou com o Padre e o Barbeiro. Assim, eles o obrigaram a revelar a localização de seu amo.

Assim, Dom Quixote, cavaleiro da triste figura, foi levado para casa, porém continuou vivendo seu delírio de novela de cavalaria.

Segunda parte da obra

Não demora muito até que o cavaleiro da triste figura retorne à estrada. Nessa parte da obra, Dom Quixote lutou contra um grupo de ambulantes que, para ele, eram demônios e monstros.

Porém, a luta foi interrompida com a chegada do Cavaleiro dos Espelhos, que desafiava qualquer um que não achasse a sua amada a mais bonita de todas.

Assim, Dom Quixote saiu em honra de Dulcineia e venceu o combate. Ele percebeu, então, que o Cavaleiro dos Espelhos era, na verdade, Sansão Carrasco, um amigo que queria trazê-lo de volta à realidade.

Em seguida, os heróis se depararam com um casal: o Duque e a Duquesa. O casal se divertiu com a loucura de Quixote. Eles afirmaram que leram um livro sobre seus feitos heroicos e recepcionaram os andarilhos com honras de cavaleiro.

Também incluíram Sancho na piada ao nomeá-lo governador de um povoado. Mas o escudeiro acabou exaurido com as tarefas do cargo e abdicou uma semana depois. Assim, a dupla se reuniu e partiu para Barcelona.

Nessa hora, surgiu outro cavaleiro para desafiar Quixote: o Cavaleiro da Lua Branca. Da mesma forma que o Cavaleiro dos Espelhos, ele desafiou qualquer um que não reconhecesse que a sua amada era a donzela mais bela.

Mais uma vez, o personagem aceitou o desafio para honrar a sua donzela Dulcineia de Toboso. Porém, desta vez, se ele perdesse, ele teria que desistir da vida de cavalaria.

Mais uma vez, o adversário era, na verdade, seu amigo, Sansão Carrasco, que não havia desistido de tirar Quixote dessa vida de imaginação.

Quixote fracassou e acabou voltando para casa. Com isso, acabou deprimido e adoentado. Na hora da morte, pediu perdão à sua sobrinha e a Sancho Pança. Este, assim como na aventura, manteve-se ao lado do seu amo até o seu último suspiro.

Os personagens do livro Dom Quixote

Os personagens do romance Dom Quixote são personagens com muitas complexidades e ainda hoje ressoam em nossa literatura. Vejamos alguns deles.

Dom Quixote, o cavaleiro andante

Dom Quixote, cujo nome verdadeiro é Alonso Quijano, é a representação perfeita dos cavaleiros aldeões da época de Cervantes, sendo alto, esbelto e magro.

Para fugir do tédio de suas aldeias, esses homens se debruçavam sobre os livros de cavalaria. Não por acaso, o excesso de leitura arrancou Dom Quixote da realidade. Assim, ele passou a viver sua própria loucura no mundo da fantasia.

Para Quixote de La Mancha, o mundo injusto e instável precisava de ajuda. Portanto, ele aceitou a tarefa e a sua recompensa foi o amor impossível de Dulcineia de Toboso.

Como não queria ter fama de medroso, o cavaleiro aceitou o desafio e saiu em sua aventura para fazer justiça.

Assim, o fidalgo caminhou pelas terras lutando contra rebanhos e moinhos de vento que, na sua fantasia, eram exércitos de inimigos e gigantes.

Ainda assim, foi derrotado por diversas vezes, sofrendo danos e prejuízos. Por isso, acabou se desencantando. Até que decidiu voltar para casa e aceitar seu destino de fidalgo cristão.

Sancho Pança, fiel escudeiro

O personagem Sancho Pança é o fiel escudeiro de nosso herói. Fisicamente, ele é o oposto de Dom Quixote, ou seja, baixo e gorducho.

Moralmente, também possui diferenças em relação ao nosso fidalgo, já que ambos pertencem a mundos distintos.

Dulcineia de Toboso

Dulcineia é o ideal do amor impossível. Ela é idealizada a partir do amor da juventude de Dom Quixote: Aldonza Lorenzo, uma camponesa.

Mas, diferente desta, Dulcineia faz parte da nobreza, além de ser bela e honrada.

Temáticas presentes no romance Dom Quixote

Cervantes deixou claro em seu prólogo qual era o objetivo do livro: criticar os romances de cavalaria. Para isso, ele utiliza a paródia.

As fantasias criadas por Dom Quixote se devem ao excesso de leitura. Assim, a crítica que o livro apresenta é a de que a literatura estimula a imaginação dos leitores. Isso faz com que eles vivam no mundo dos sonhos.

Além da crítica aos romances de cavalaria, ou seja, à própria literatura, Dom Quixote, como um grande romance, trata de outras temáticas.

Sátira em Dom Quixote, o cavaleiro medieval

No Prólogo, Cervantes esclarece que seu objetivo era satirizar os livros de cavalaria, muito comuns em sua época.

Segundo ele, a “escritura tem por único fim desfazer a autoridade que por esse mundo e entre o vulgo ganharam os livros de cavalarias”.

Assim, não é por acaso que, por amor aos romances de cavalaria, o protagonista do livro se intitula Dom Quixote de la Mancha e passa a imitar os cavaleiros que tanto admira.

Além disso, para alguns críticos, Cervantes queria, com a sua obra, desacreditar a figura de Lope de Vega, dramaturgo espanhol com quem o autor cruzou algumas vezes. Desta forma, Lope teria sido a referência para a criação do engenhoso fidalgo.

Outras informações sobre o romance Dom Quixote

  • O romance ou novela de cavalaria de Miguel de Cervantes foi escrito em um período de grandes mudanças na Espanha. O país estava em declínio.
  • Cervantes concebeu seus personagens com uma profundidade inédita para a época. Assim, seus personagens são carregados de complexidades que os tornam reais ao leitor.
  • A narrativa acontece em uma região específica e segue uma cronologia.
  • Apesar de retratar o mundo de fantasia que o protagonista vivia, a narrativa não possui elementos mágicos ou míticos. Assim, a ilusão ocorre apenas na mente de Dom Quixote.
  • Um elemento bastante presente na obra é o humor, proveniente da distância entre realidade e ilusão.
  • As aparições de Cervantes na obra são outro detalhe que deve ser considerado. O autor da obra alterna a narração entre a sua própria voz e a do narrador Cide Hamete.
  • Embora os personagens principais sejam Dom Quixote, Sancho Pança e Dulcineia, as histórias de outros personagens também são contadas. Isso porque a novela foi escrita em episódios, o que dá espaço para trabalhar essas outras histórias.
  • Como Cervantes teve a sua novela plagiada, há quem diga que o livro foi finalizado para se evitar a realização de uma cópia futura.

Considerações finais

Após 416 anos de publicação, Dom Quixote segue no posto de um dos melhores romances da história.

A obra seguiu influenciando as gerações seguintes como, por exemplo, a de Flaubert. Afinal, Madame Bovary, assim como Dom Quixote, foi influenciada pelos livros que ela lia. Assim, ela optou por viver no mundo dos sonhos.

Ademais, esse clássico segue como tema de muitos trabalhos acadêmicos, que se debruçam em diversas análises sobre a história.

A internet também tem um número vasto de resumos, o que comprova o interesse que a novela de Cervantes ainda desperta em diversas pessoas.

Esperamos que você tenha gostado do nosso resumo do livro Dom Quixote. Não esqueça de acompanhar nossos artigos e conhecer novas resenhas por aqui.

Até mais!