Os 11 Melhores Livros sobre as Cruzadas

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Os acontecimentos da Idade Média permeiam o imaginário popular e são fonte de curiosidade, inspiração e debates. Alguns dos melhores livros sobre as Cruzadas lançam luz em um dos períodos mais icônicos do Ocidente.

Famosas por terem sido iniciadas pela Igreja Católica, as Cruzadas tiveram papel fundamental na formação da Europa como é hoje, além de sua relação com países do Oriente Médio e arredores.

As Cruzadas foram um grande evento nos anos de formação da cultura ocidental. Justamente por isso este período nos desperta tanta curiosidade.

As histórias de guerras, cavaleiros e peregrinações são fascinantes. Além de encantarem, a análise historiográfica e crítica nos mostram como os processos políticos se dão, e como os movimentos da história se deram para formar o mundo atual.

Com os livros listados abaixo você poderá entrar de vez no mundo das Cruzadas e entender o que aconteceu, os aspectos sociais, econômicos e políticos e também as consequências desta empreitada.

Consequências não apenas para quem morreu em batalha, mas também para todos que vivem hoje.

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O que foram as Cruzadas?

Iniciadas no final do século XI, as Cruzadas foram uma série de incursões cristãs em terras islâmicas. Sua finalidade era a conquista, ocupação e domínio da chamada Terra Santa, representada principalmente pela cidade de Jerusalém.

Por trás da cortina religiosa, objetivos políticos e econômicos existiam. Rotas de comércio foram formadas graças às Cruzadas, o que fortaleceu a Europa e ajudou em seu desenvolvimento.

Conter a expansão do islamismo também era um grande ideal da Igreja no momento. Nessa época a Igreja Católica estava conquistando poder rapidamente, já bem estabelecida na Europa. O Islã também era um grande culto, e por isso chamava a atenção da Igreja.

De caráter bélico, as forças da igreja utilizavam de violência em suas missões, o que construiu enorme conflito entre cristãos e islâmicos. Estes marcaram profundamente a cultura local, e ecos desse conflito existem até hoje.

Muito do que conhecemos hoje passou pelas Cruzadas, ou sofreu forte influência delas.

Por mais distante que pareçam, os movimentos dos cristãos e suas tropas moldaram fronteiras, formaram países – eventualmente – e enraizaram na mentalidade comum uma série de códigos, rotinas e ideologias.

A mentalidade da jornada até a Terra Santa em busca do sagrado até hoje é aceito como natural, e muito se deve a este período e como a Igreja trabalhou para tal.

Vamos conhecer os melhores livros sobre as Cruzadas?

1. As Cruzadas: uma história, de Jonathan Riley-Smith

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Jonathan Riley-Smith é uma das maiores autoridades quando se trata de Cruzadas. Neste livro ele aborda o assunto de forma profunda, mas ainda assim acessível.

O que levou ao surgimento das Cruzadas, os principais eventos e participantes e as consequências geradas são assuntos presentes. Dessa forma, uma linha do tempo é traçada, até o século XIX, e nos ajuda a entender o quão influente este período da história foi.

Dentre o material presente estão traduções de textos da época, comentários do autor a respeito das fontes, mapas, figuras e cronologia.

“As Cruzadas: uma história” é um belo ponto de partida para quem está interessado no assunto, com bastante material para pesquisa e uma leitura prazerosa. Seu volume de conteúdo também faz dele uma ótima opção para quem já conhece o assunto e quer entender melhor as nuances do período.

Riley-Smith, que morreu em 2016 aos 78 anos, foi um dos mais famosos medievalistas do mundo. Participou diretamente em 17 livros sobre as Cruzadas, além de ter uma série de capítulos e artigos publicados. Seu trabalho de divulgação do conhecimento histórico é famoso e reconhecido.

2. As Cruzadas vistas pelos árabes, de Amin Maalouf

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Uma das grandes características da história é que quem conta dá o seu ponto de vista. Com o assunto das Cruzadas não é diferente. Tudo o que sabemos sobre elas nos é passado pelos ocidentais que deram início a elas.

Justamente para quebrar este ciclo, o livro “As Cruzadas vistas pelos árabes” se torna tão importante. Escrito por Amin Maalouf, autor franco-libanês, este livro mistura romance e uma pesquisa histórica aprofundada para nos trazer a visão do outro lado dos conflitos: o lado árabe.

A narrativa é passada pela visão de Hasan al-Wazzan. Embaixador árabe no ano de 1518, Hasan foi capturado por piratas e entregue à custódia do Papa Leão X. Escrito como uma autobiografia, a obra nos dá uma visão de todo o auge das Cruzadas.

Além do contexto histórico, extremamente valioso como fonte, este livro cumpre um outro papel fundamental. Ele dá voz ao povo árabe, que sofreu nas mãos de um conflito levado até eles.

É interessante ter este outro ponto de vista, onde os cavaleiros cristão são mostrados em toda a sua brutalidade. Um material riquíssimo para quem quer ir além do pensamento histórico.

3. História das Cruzadas, de Voltaire

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Escrito por um dos maiores filósofos iluministas da França, Voltaire, “História das Cruzadas” nos dá uma visão histórica sobre esse período.

De teor mais resumido e geral, sem muito aprofundamento, a obra trata desde a primeira Cruzada até a tomada de Jerusalém. Ele ainda conta alguns fatos ocorridos após a tomada. Tudo isso em meio a duras batalhas. Outro assunto tratado é a invasão a Constantinopla.

Como um ferrenho crítico, Voltaire constantemente usava de suas obras como veículo de sátira à Igreja Católica e outras instituições. Neste livro isso é fortemente presente, dada a violência física e moral provocada pela igreja através das cruzadas.

“História das Cruzadas” contou ainda com ilustrações de Gustave Doré, um dos mais famosos desenhistas da França no século XIX. Suas contribuições são lendárias, participando inclusive da publicação de “A Divina Comédia” de Dante Alighieri.

4. História das Cruzadas, de Steven Runciman

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Apesar do nome idêntico à sugestão anterior, este título na verdade se trata de uma série em três volumes escrita por um dos grandes especialistas em Idade Média e Cruzadas, Steven Runciman.

Como mais um livro historiográfico sobre as Cruzadas, estes se destacam pela pesquisa detalhada e quantidade de conteúdo. Sem dúvida, é uma das obras mais completas sobre o assunto, cobrindo desde as primeiras Cruzadas, a tomada de Jerusalém, até as últimas Cruzadas e consequências do período.

Um ponto interessante, que talvez se destaque nesta obra, é a atenção dada pelo autor para a história de Jerusalém. Ele lança luz não apenas sobre sua tomada, mas também características únicas e a relação com os povos do Oriente Próximo.

Além disso, também estão presentes capítulos sobre a criação de estados na Terra Santa e países da região durante as Cruzadas. Tudo isso confere alto teor geopolítico à esta obra. Ideal para quem busca alto nível de aprofundamento no tema.

Os volumes de “História das Cruzadas” são “A Primeira Cruzada e a Fundação do Reino”, “O Reino de Jerusalém e o Oriente Franco” e, por fim, “O Reino de Acre e as Últimas Cruzadas”.

5. Cruzadas, de Cécile Morrisson

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Neste livro curto, a historiadora francesa Cécile Morrisson trata sobre as Cruzadas de um ponto de vista muito importante: as consequências sociais do conflito.

Em “Cruzadas” ela trata sobre a história das guerras e, principalmente, as chagas que elas deixaram na relação entre Ocidente e Oriente, e cristão e mulçumanos. Os desdobramentos do conflito religioso nos campos da economia, comércio e geopolítica são discutidos pela autora.

Não apenas isso. Cécile aproveita todos estes pontos para discutir como eles levaram ao histórico de intolerância, preconceito e ódio que são fortes até hoje, enraizados na sociedade.

Sem dúvida, uma obra que abrirá o assunto para campos muito além da história, além de ajudar a compreender conflitos modernos e processos culturais, políticos e sociais contemporâneos.

6. Os Templários, de Barbara Frale

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Barbara Frale é uma renomada paleógrafa, quem estuda escritas antigas, e no seu livro “Os Templários” aborda a história desta ordem monástica de cavaleiros.

Os cavaleiros templários eram guerreiros pertencentes à Ordem dos Pobres Cavaleiros de Cristo e do Templo de Salomão, fundada por volta de 1906, após a primeira Cruzada. Seu intuito era proteger os cristãos que agora voltavam a peregrinar até Jerusalém.

Nesta obra, Frale conta desde a sua fundação, seu desenvolvimento, até os eventos que levaram ao fim da Ordem. O que realmente chama a atenção para este livro é o acesso que a autora teve aos arquivos do Vaticano.

Isso faz de “Os Templários” um livro riquíssimo em história, com informações privilegiadas de dentro da própria igreja. Indispensável para quem tem curiosidade sobre as Cruzadas e os cavaleiros templários.

7. Racismos: das cruzadas ao século XX, de Francisco Bethencourt

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Por mais que este livro não trate das Cruzadas, pelo menos não como assunto central, ele utiliza do tema numa discussão extremamente importante e necessária: o racismo.

O historiador português Francisco Bethencourt busca neste livro oferecer uma visão ampla e altamente técnica sobre os processos geográficos, políticos, econômicos e históricos que deram origem ao racismo.

Quando trata do tema, Bethencourt fala do racismo em suas variadas formas e transformações ao longo das épocas. O autor busca mostrar como a discriminação e opressão foram sempre estimuladas e objetivadas por projetos poíticos de monopolização de recursos.

As cruzadas entram na discussão principalmente como ponto de origem de alguns conflitos raciais, provocados pelos movimentos geográficos invasivos e de caráter violento – cultural e fisicamente.

“Racismos” é uma obra que, obviamente, não soluciona a história do racismo. E nem é este o objetivo. É mais uma fonte rica de pesquisa e combustível para o tema, com forte base técnica.

Para interessados em história, principalmente das Cruzadas, compreender os desdobramentos sociais que tais eventos provocam é essencial para uma formação completa e crítica de qualquer estudioso.

8. A história dos cavaleiros templários e do templo, de Charles G. Addison

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Publicado originalmente em 1842, “A história dos cavaleiros templários e do templo” é mais um livro sobre a lendário ordem dos templários. Esta obra foi escrita pelo advogado e escritor Charles G. Addison após uma extensa pesquisa.

O livro trata desde a criação da ordem dos cavaleiros templários, em seu objetivo de proteger a cristandade e combater os inimigos da igreja, até a sua surpreendente queda.

É uma fonte rica de informações sobre o desenvolvimento deste grupo. Você poderá entender como eles ganharam prestígio na sociedade e rapidamente acumularam riquezas e influência.

Isso tudo torna ainda mais impressionante a forma como foram perseguidos e a ordem encerrada no final do século XIII e início do XIV.

Mais um livro para encantar e satisfazer que tem curiosidade sobre este grupo e seu papel dentro das Cruzadas.

9. A igreja das catedrais e das Cruzadas, de Daniel-Rops

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Este título faz parte de uma série de livros do historiador francês Daniel-Rops. Todos os volumes tratam da Igreja Católica, e no total são oito obras extremamente ricas e cheias de conteúdo.

O terceiro volume é “A igreja das catedrais e das Cruzadas”. Aqui Daniel-Rops trata sobre a ascensão do poder político, econômico e social da igreja católica numa Europa catequizada.

Após todos os esforços para disseminação da doutrina pelo continente, a igreja obtém sucesso em criar uma sociedade altamente religiosa, com foco na cristandade em cada aspecto da sua vida.

Ao ler este livro você ficará por dentro dos movimentos da Igreja como instituição para tomar as rédeas de si mesma, retirando o poder dos senhores feudais e colocando-o dentro dela própria.

Tudo isso tem forte influência no planejamento e execução das Cruzadas, em sua missão de invasão e fortalecimento da cristandade por todo o continente e além, com a tomada da Terra Santa e a propaganda ao redor do ato.

Esta obra, assim como os demais volumes, é muito valiosa para entender os processos da igreja ao longo das eras, e em como esse poder político moldou os conflitos e a própria história.

10. Guerra Santa – Formação da ideia de cruzada no ocidente cristão, de Jean Flori

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O livro de mais um historiador francês, desta vez Jean Flori, nos dá uma visão além da pura história da cruzada. Na verdade, o intuito de Flori com “Guerra Santa” é entender o que levou às cruzadas, não apenas da história da igreja, mas também seu corpo ideológico e estrutural.

Aqui o autor discute como a igreja cristã, pacífica em sua origem, se transformou na entidade que estimulou conflitos e iniciou as Cruzadas, notoriamente violentas. Para ele isso não foi repentino, e é o que busca mostrar nas páginas do livro.

Este livro fomenta muita discussão e pensamento a respeito do tema. Afinal, para as Cruzadas serem possíveis foi necessário uma naturalização da violência dentro da própria igreja, que a permitiu tomar parte em guerras e justificar atos brutais em nome da fé.

“Guerra Santa” é um título curioso e extremamente provocativo, indo nos bastidores da história e ajudando a estudiosos e interessados no tema a formar o cenário completo do que foram as Cruzadas, muito antes do seu próprio início.

11. O guia completo das Cruzadas, de Paul L. Williams

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Por fim, “O guia completo das Cruzadas”, escrito pelo jornalista e professor de filosofia Paul L. Williams, é uma recomendação mais leve e até humorada sobre o tema. Mas não se engane, pois o conteúdo deste livro ainda é rico e muito esclarecedor sobre o tema.

Aqui encontramos mais um livro sobre a história das Cruzadas, como se deram e aspectos históricos da época. O diferencial é a escrita leve de Williams, que guia de forma didática o leitor ao longo do período.

Os movimentos das tropas e as batalhas ganham destaque nas páginas, sendo um prato cheio para quem se interessa pelas táticas medievais.